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Tuesday

25

September 2018

Saiba o que significa a Interseccionalidade - Kimberlé Crenshaw

by Fabio Rodrigues de Carvalho

Interseccionalidade

O conceito de “interseccionalidade” foi batizado desta maneira por Kimberlé Williams Crenshaw.

Kimberlé - é uma feminista e professora especializada nas questões de raça e de gênero.

Obs: Ela usou este termo pela primeira vez numa pesquisa em 1991 sobre as violências vividas pelas mulheres de cores nas classes desfavorecidas nos Estados Unidos.

Obs2: Este conceito foi usado por outros estudos, mas com os termos de “interconectividade” ou de “identidades multiplicativas”.

Trata-se a Interseccionalidade de um conceito sociológico que estuda as interações nas vidas das minorias, entre diversas estruturas de poder.

Então, a Interseccionalidade é a consequência de diferentes formas de dominação ou de discriminação. Ela trata das interseções entre estes diversos fenômenos.

Kimberlé Crenshaw define a interseccionalidade como “formas de capturar as consequências da interação entre duas ou mais formas de subordinação: sexismo, racismo, patriarcalismo.”

Então, a interseccionalidade tenta estudar não só o fato de ser mulher, estuda ao mesmo tempo o fato de ser negra, ser LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgênero), etc. Na verdade, segundo Kimberlé Crenshaw, frequentemente o fato de ser mulher racializada é relacionado à classe e ao gênero.

Kimberlé Crenshaw precisa que o gênero não é o único fator de discriminação. Então, há a necessidade de estudar os outros fatores de discriminação juntos.

Adriana Piscitelli precisa que é importante estudar classe, gênero e raça juntos.

Avtar Brah adiciona que é importante estudar os diferentes fatores juntos por causa da relação que cada um estabelece com o outro. “Não podem ser tratadas como “variáveis independentes” porque a opressão de cada uma está inscrita dentro da outra – é constituída pela outra e é constituída dela”.

Exemplo de Caso que foi observada a Interseccionalidade:

Talía Gabriela Gonzales Lluy, criança de 5 anos de idade, foi matriculada em escola pública, tendo frequentando o local tranquilamente por 2 meses.

A situação muda drasticamente quando o diretor da escola descobre que a menina era portadora de HIV.

A partir de então, a criança é proibida de comparecer à instituição de ensino infantil.

A mãe da menina ingressou com Mandado de Segurança a fim de proteger o direito fundamental à educação.

Entretanto, a segurança foi negada pelo Poder Judiciário, sob a justificativa de conflito de interesses entre a Paciente e os demais estudantes, devendo prevalecer estes em razão de sua coletividade.

Por causa da condição da criança, ela e a mãe foram obrigadas a se mudar diversas vezes.

Ao se deparar com o caso, a CIDH condenou o Equador por violações aos direitos humanos de Talía Lluy à vida, à integridade pessoal e à educação.

O tema abordado pela Corte é da interseccionalidade dos fatores de discriminação.

Este entrelaçamento de fatores de discriminação exige uma maior proteção por parte do poder público.

A união de todos estas peculiaridades causam à infante uma violação interseccional, ou seja, aumenta-se a magnitude do sofrimento com a soma dos fatores de discriminação.

Obs: acaso existisse apenas alguns destes fatores, a discriminação seria diferente (até mesmo reduzida).

Fonte:Disponível em: www.sociologia.com.br/o-conceito-de-interseccionalidade/