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Tuesday

13

December 2016

O que é a sociedade em rede?

by Fabio Rodrigues de Carvalho

Sociedade em Rede

Pode-se dizer que a sociedade em rede está diretamente relacionada com o processo histórico conhecido por “Globalização”, com a formação de uma rede de redes globais que ligam seletivamente, em todo o planeta, encampando todas as dimensões funcionais da sociedade.

Gustavo Cardoso- “Essa sociedade é designada por Castells como sociedade em rede, caracterizada por uma mudança na sua forma de organização social, possibilitada pelo surgimento das tecnologias de informação num período de coincidência temporal com uma necessidade de mudança econômica(a globalização das trocas e movimentos financeiros) e social(a procura de afirmação das liberdades e valores de escolha individual e iniciada com os movimentos estudantis de Maio de 68).”

Portanto, a confluência de fatores sociais, políticos e econômicos que, conjugados com as novas tecnologias da comunicação, permitiu a ascensão da sociedade pós-industrial para a atual sociedade em rede.

Sociedade em rede e a governança transnacional

Entre os desdobramentos marcantes verificados em decorrência de a sociedade estar conectada em redes, pode-se destacar que sua influência reforça o conceito de partilha de soberania entre os Estados (então soberanos), para resolver assuntos complexos de dimensão internacional.

Manuel Castells- estamos em um período de transição: a sociedade conectada em nível global e os Estados organizados em nível nacional, donde vislumbra que o regramento do tema caminhará para a relativização da soberania dos Estados e para uma governança transnacional, como única forma de tratar conjuntamente os assuntos de interesse global:

“Mas existe uma transformação ainda mais profunda nas instituições políticas na sociedade em rede: o aparecimento de uma nova forma de Estado que gradualmente vai substituindo os estados-nação da Era Industrial.

Estado em Rede-para Manuel Castells caminhamos para um Estado em rede, onde a “governação é realizada numa rede, de instituições políticas que partilham a soberania em vários graus, que se reconfigura a si própria numa geometria geopolítica variável”.

Obs: a influência tecnológica global em curso no início de Século XXI está a adentrar a esfera da soberania dos Estados contemporâneos, posto que a complexidade de determinados assuntos de interesse mundial (como “exempli gratia”: combate ao terrorismo; à guerra cibernética; à biopirataria; ao desenvolvimento de armas atômicas; uso de energia nuclear; degradação do meio ambiente; o controle dos mercados financeiros etc) transborda os limites físicos e espaciais de determinado Estado e exigem a relativização da sua soberania, a fim de possibilitar a atuação concertada em assuntos cuja solução depende de todos.

Obs2: A convergência da evolução social e das tecnologias da informação criou uma nova base material para o desempenho de atividades em toda a estrutura social. Essa base material construída em redes define os processos sociais predominantes, consequentemente dando forma à própria estrutura social.

A sociedade em rede opera com a lógica das economias e dos fatores de produção interligados em escala mundial, possibilitada por inovações tecnológicas como o microprocessador, a comunicação por satélites, a rede mundial de computadores(internet), a fibra ótica etc, que relativizam a noção de espaço e tempo.

A transmissão, o processamento e partilha das informações dentro da rede são aos principais fatores de geração de riquezas na sociedade em rede, que se coaduna com o sistema de produção capitalista.

Na sociedade em rede, como a sociedade está conectada em nível mundial e os Estados organizados em nível nacional, vislumbra-se um processo de relativização da soberania dos Estados para uma governança transnacional, como única forma de tratar conjuntamente assuntos de interesse global que transbordam os limites territoriais dos Estados, como a defesa do meio ambiente, combate ao terrorismo, à segurança nuclear etc..

Os canais de mídia eletrônica, diante do amplo acesso de informações, viabilizam aos cidadãos interlocução horizontal para debates e troca de opiniões, a interação entre os participantes da rede e, portanto, o contraditório, para a formação da opinião pública, não olvidando que a autonomia das escolhas dos cidadãos está ligada as diversas interações tecnológicas de mídia combinadas e interligadas(jornais; rádio, televisão; internet; SMS etc).

O acesso ao amplo repertório de mídias (tradicionais e eletrônicas) atualmente existentes e ao amplo fluxo de informações geradas pela organização em redes não é suficiente para o efetivo exercício de cidadania. Mais do que isso, é necessário garantir um amplo grau de liberdade e independência ao setor de mídia em relação ao poder político e econômico, a fim de fornecer à sociedade informações de fontes confiáveis, complementares e independentes para formar a livre opinião dos cidadãos, mais cônscios de seus direitos e deveres de participação nos desígnios da sociedade.

Fonte:http://www.ambito-juridico.com.br/site/?nlink=revistaartigosleitura&artigoid=13851&revista_caderno=9